O Cravo Incessante


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Um Pincel ou Uma Caneta?

Voltei a escrever. Voltei a poetizar o sistro doente que bate em mim seu ritmo surdo e agonizante. Isso me preocupa de tantas formas... Mas a quem interessar, eis o último fruto da semente indesejada:


Retrato Escarrado
Abruptamente abandonei o úmido pincel
Dois passos para trás e a amarga epifania
Outra vez ver o inquisidor fantasma seu
Vampiro de meu brilho, ardente nostalgia
O retrato que pintei não tinha pigmentos
A tinta era fosca, amorfa era a Figura
O odor, feio e doloroso, impregnava o lamento
Tela nada mais que lápide à Sepultura
Lá vomitei tudo o que nutri por ti um dia
Me apossei do rubro que em mim queimando ardia
E escorri em tua face cínica de ironia
Veja, senhor Gray, meu maldito e só Torpor
Neste tecido encanece nosso velho amor
No peito pulsa fresca e eterna jovem dor
Vítor da M. Vívolo 14/04/10 às 00h36

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