Retrato Escarrado
Abruptamente abandonei o úmido pincel
Dois passos para trás e a amarga epifania
Outra vez ver o inquisidor fantasma seu
Vampiro de meu brilho, ardente nostalgia
O retrato que pintei não tinha pigmentos
A tinta era fosca, amorfa era a Figura
O odor, feio e doloroso, impregnava o lamento
Tela nada mais que lápide à Sepultura
Lá vomitei tudo o que nutri por ti um dia
Me apossei do rubro que em mim queimando ardia
E escorri em tua face cínica de ironia
Veja, senhor Gray, meu maldito e só Torpor
Neste tecido encanece nosso velho amor
No peito pulsa fresca e eterna jovem dor
Vítor da M. Vívolo 14/04/10 às 00h36
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