O Cravo Incessante


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Explicação

Olá, leitor.

Gostaria de esclarecer que todas as poesias antigas foram excluídas do blog. Isso se deve ao fato de eu querer reunir todos os meus escritos antigos e possivelmente registrá-los  - para posteriormente enviar a alguma editora. Portanto, devo garantir exclusividade do material às editoras de interesse.

De agora em diante, apenas meus materiais novos serão postados aqui. Exclusivamente também, óbvio.

Os projetos que tenho em mente agora são uma série de contos de época, um deles é o post abaixo por sinal. Todos envolvendo Margaret e sua sobrinha, Alice. Por favor mantenham o F5 em uso, pois logo logo prometo um novo capítulo.

Muito obrigado, espero que entendam.

Vitor Lestat [ M'sieur Hyde ]

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Conto em progresso - 'Flores no Jardim' - Prólogo.

     Margaret era uma mulher relativamente simples, de um bom humor inescrutável. Sempre sorridente, sentia-se feliz com absolutamente tudo. Acordava cedo todos os dias, abria as janelas de imediato e dava seu bom dia aos raios de sol. Ria-se da cena. "Ai, como sou boba. Quem mais conversaria com o Sol? Mas em dias tão lindos, me dou ao luxo!".
     Seu riso era doce, infantil, contido... Cativante. Emoldurado por um batom vermelho coral e bochechas rosadas por pigmentos de farmácia. Tudo religiosamente aplicado após o bate-papo matinal com o infinito. Sentada na penteadeira antiga, herdada da avó, passava mais de uma hora para empetecar-se de laquê, pérolas e perfume. Era um de seus momentos animadores para o resto do dia.
     Caminhava até o guarda-roupas e selecionava o vestido mais adequado para o tempo, desta vez de céu aberto e claríssimo, onde já apanhava suas luvas brancas rendadas em alguma gaveta. Pronto. Faltava apenas uma sombrinha e poderia caminhar no parque com Alice.
     Ah, Alice! Ela poderia pedir uma sobrinha mais encantadora? O verão estava mais divertido graças à esta jovem moça. Uma pena que dentro de uma semana seria necessário dizer adeus a ela. Realmente uma pena. Era tudo tão solitário naquela casa imensa... Muito solitário...
     Bem, não poderia deixar os pensamentos de tristeza estragarem seu dia. Que bobagem, saudades antecipadas. Além do mais, sempre viveu sozinha... Não era dessa vez que ia se chatear por não ter companhia. Ora, ora. Pegou a sombrinha, ajeitou os cachos presos por grampos e soprou um beijo para seu reflexo antes de passar pela porta.



Continua...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Le Coup de Thêátre

Um sentimento engasgado no peito. Algo difícil de expelir ou engolir. Permeando o ódio do puro ímpeto do lado obscuro humano. Realmente inspirado pela busca, batizada de afinco, pelo antídoto da agonia.

Jekyll busca acalmar Hyde. A experiência mal-sucedida na bondade cega da faísca na pólvora que é o sonho em nossas mentes. Nada faz mais sentido do que a insensatez vil e oferecida pelos anjos da insone tempestade.

É assim que estou. Exatamente assim. Desafiando a negrura arrogante com meus lampejos de frases e pensamentos mal acabados, sucessivos, sem sucesso, sádicos e salientes, surripiando a sobriedade da salgada selva de servos pacatos. Enquanto as lágrimas regam o jardim de plantas mortas, arranhando as lápides com suas gavinhas podres e atrevidas. O anjo, ao topo, esquece de contrair os músculos de pedra e não esboça qualquer sentimento. Tão radiante quanto Monalisa, condenada pela estática incompreensão recheada de significados mirabolantes e impróprios.

Assim se busca o resultado de uma equação sem solução. Assim se cria a fantasia, alimento da discórdia, e esperança da idiotia. Assim nasce Deus na guerra. Nasce cura nas pílulas de açúcar. Nasce corpo na mistura fermentada de farinha, leite e ovos. Nasce sangue nas uvas esmagadas por pés imundos em uma bacia de madeira comida por vermes.

Isso. Grite amado céu. Grite sua mágoa e revolta. Espalhe a mágoa que engoliu, puna aqueles que não reconhecem seu esplendor sagrado. Inunde o Nilo, agracie as colheitas. Afogue os pecadores. Sacie a sede dos desafortunados. Transborde a desgraça que alimenta o mofo. Acaricie os verdes seres que suplicam tua presença nas preces.

Por que não ouço sua resposta? Sei que ouves meu pedido. Sei que estás aí. Sabes que aqui estou. És surdo então? Ou devo negar os pecados que criaste para poder ouvir tua canção? Onde mora a lógica? O livre arbítrio então não passa de uma janela aberta para que nos debrucemos sobre o precipício? A curiosidade, impregnada em nosso DNA traiçoeiro, que alimenta o fogo de nossa fé por ti, é a mesma que me afasta?

Neste exato momento já me perdi nas palavras. Caí no fluxo de raciocínios sem sentido. Nas rotas de tijolos amarelos, ora dourados, ora 'encanecidamente' cor de mijo, que não levam a lugar algum. Não acho as chaves que me prometeram. Não vejo o chão. Não toco o teto. Consciente apenas de minha mísera posição de prisioneiro livre de mãos atadas, permaneço estático.

Então me inunda um deleite. Uma satisfação incomensurável em saber que disse tudo aquilo que pensei e não fiz sentido algum à maioria. Os poucos que leram coesão na confusão sorriem neste momento. Alguns refletiram. Outros ignoraram.

Mas eu - apenas eu - presenciei de forma singular... O orgasmo do meu processo criativo em curto-circuito de experiências vazias. E como me senti bem!

Mais que Valium. Vivi vastamente vendo os vértices de vários valores vitrificados em vórtices da natureza e sua corrente palpável.

Ah. Sinto-me melhor. Por pouco tempo. Mas por hora basta.

Convido vocês a este estado. E espero que tenham lido. Espero que tenham decifrado minha Pedra de Rosetta. Caso não, não quero que voltem sempre.

Boa noite.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Conselheiro Virtual 24 horas.

Mais uma vez estou eu sentado frente a meu computador, online no msn, buscando alguma coisa pra fazer em um domingo. Ainda mais domingo pós-feriados. Convenhamos.

Aí me vem alguém pedir ajuda. Dizer que alguma catástrofe aconteceu e eu sou a pessoa mais confiável pra resolver isso. Já ouvi mais de uma vez "você saberia o que fazer". Por quê? Não, sério. O que faz as pessoas acreditarem que sei resolver tudo?

Pois bem.

Me enviam o histórico do msn do problema ocorrido, para que eu leia e resolva da melhor forma. Eu, entediado, em um domingo pós-feriados, aceito. E começo a ler.

Aos poucos... Percebo que não estou realmente prestando atenção. Ok. Respiro. Tomo um gole de Ades Uva e volto a ler. .... Começo a me perguntar se sou uma pessoa fria, sem simpatia. Porque leio e leio e não consigo realmente enxergar a catástrofe. O que vejo são problemas comuns. Aquela falta de compreensão alheia e confusão no mundo. Normal. Adolescente. Normal!

Poxa, gente. Querem mesmo um conselho? Um BOM conselho?

Não espere ser entendido. Não espere que o mundo te tome de braços abertos. Não. E não. E não. Busque o seu lugar. O seu único e próprio lugar no mundo. Porque o erro número um é desejar agradar a todos. Agradando a todos, desagrada a si mesmo. E aí mora seu atestado de óbito de personalidade e felicidade. Ouçam o que digo.

E mais.

Por mais cliché que seja... Existe uma pedra no meio do caminho? No meio do caminho existe uma pedra?

Amigo, chute a PORRA da Pedra! Pegue depois, coloque no bolso e se prepare pra usar seus estilingues! Francamente. Deixar de viver por causa de um desafio é desperdiçar a vida.

Se o cara lá em cima te coloca essas barreiras no caminho.... esfregue na cara dele que você vai continuar a caminhar mesmo assim.

....


Bah. Momento filosófico over.

...

Não sei se fez sentido. Não sei se alguém lerá. Não sei se me importo, viu?

Riso.