O Cravo Incessante


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Le Coup de Thêátre

Um sentimento engasgado no peito. Algo difícil de expelir ou engolir. Permeando o ódio do puro ímpeto do lado obscuro humano. Realmente inspirado pela busca, batizada de afinco, pelo antídoto da agonia.

Jekyll busca acalmar Hyde. A experiência mal-sucedida na bondade cega da faísca na pólvora que é o sonho em nossas mentes. Nada faz mais sentido do que a insensatez vil e oferecida pelos anjos da insone tempestade.

É assim que estou. Exatamente assim. Desafiando a negrura arrogante com meus lampejos de frases e pensamentos mal acabados, sucessivos, sem sucesso, sádicos e salientes, surripiando a sobriedade da salgada selva de servos pacatos. Enquanto as lágrimas regam o jardim de plantas mortas, arranhando as lápides com suas gavinhas podres e atrevidas. O anjo, ao topo, esquece de contrair os músculos de pedra e não esboça qualquer sentimento. Tão radiante quanto Monalisa, condenada pela estática incompreensão recheada de significados mirabolantes e impróprios.

Assim se busca o resultado de uma equação sem solução. Assim se cria a fantasia, alimento da discórdia, e esperança da idiotia. Assim nasce Deus na guerra. Nasce cura nas pílulas de açúcar. Nasce corpo na mistura fermentada de farinha, leite e ovos. Nasce sangue nas uvas esmagadas por pés imundos em uma bacia de madeira comida por vermes.

Isso. Grite amado céu. Grite sua mágoa e revolta. Espalhe a mágoa que engoliu, puna aqueles que não reconhecem seu esplendor sagrado. Inunde o Nilo, agracie as colheitas. Afogue os pecadores. Sacie a sede dos desafortunados. Transborde a desgraça que alimenta o mofo. Acaricie os verdes seres que suplicam tua presença nas preces.

Por que não ouço sua resposta? Sei que ouves meu pedido. Sei que estás aí. Sabes que aqui estou. És surdo então? Ou devo negar os pecados que criaste para poder ouvir tua canção? Onde mora a lógica? O livre arbítrio então não passa de uma janela aberta para que nos debrucemos sobre o precipício? A curiosidade, impregnada em nosso DNA traiçoeiro, que alimenta o fogo de nossa fé por ti, é a mesma que me afasta?

Neste exato momento já me perdi nas palavras. Caí no fluxo de raciocínios sem sentido. Nas rotas de tijolos amarelos, ora dourados, ora 'encanecidamente' cor de mijo, que não levam a lugar algum. Não acho as chaves que me prometeram. Não vejo o chão. Não toco o teto. Consciente apenas de minha mísera posição de prisioneiro livre de mãos atadas, permaneço estático.

Então me inunda um deleite. Uma satisfação incomensurável em saber que disse tudo aquilo que pensei e não fiz sentido algum à maioria. Os poucos que leram coesão na confusão sorriem neste momento. Alguns refletiram. Outros ignoraram.

Mas eu - apenas eu - presenciei de forma singular... O orgasmo do meu processo criativo em curto-circuito de experiências vazias. E como me senti bem!

Mais que Valium. Vivi vastamente vendo os vértices de vários valores vitrificados em vórtices da natureza e sua corrente palpável.

Ah. Sinto-me melhor. Por pouco tempo. Mas por hora basta.

Convido vocês a este estado. E espero que tenham lido. Espero que tenham decifrado minha Pedra de Rosetta. Caso não, não quero que voltem sempre.

Boa noite.

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