Perfume
Foi teu perfume
Ele me fez levantar do estado de coma
Deitado, agarrei-me a almofada
Cravei meu rosto em cada centímetro da fibra
Era você… Você entre meus braços
Sorri, suspirei, acariciei o tecido
Lágrimas feriram meus olhos
A Saudade mordeu meu peito e puxou meus músculos
Mnemosine estourou sua placenta delicada
Agulhas salpicaram minha pele… Minha espinha… Minha nuca…
Traguei outra dose tua
Inflei meus pulmões com teus beijos
Teu rosto no meu…
Deslizei em busca de teu corpo…
Nada encontrei.
Você entre meus braços…
Tão longe…
Meus braços tão curtos
Meu sofrimento tão grande
Se Deus me der asas, decolo
Vôo para o mais distante reino…
Não.
Vôo para o mais próximo de teus lábios
Minhas asas serão os braços que faltam para te envolver mais perto
Minha saudade, o cordeiro para as chamas de teu toque
Cada pulso meu bombeia cor
Ao monumento que criei em tua homenagem
Acendi um cigarro, quis espantar tua fragrância
As almas do Tártaro levitavam no ar
Torcidas, gritavam indignadas
Teu nome, teu nome, teu nome…
Provoquei a eutanásia da chama em meu Uísque
Tu, meu caro, és minha nova nicotina e licor
Vítor da M. Vívolo 10/04/11 6h25 p.m.