O Cravo Incessante


quarta-feira, 21 de julho de 2010

In Dolore Veritas

Meu maior desejo no mundo é ser independente. A ponto de ser tachado de frio, insensível e cruel. Eu almejo esse posto. Assim eu seria praticamente desumano... E não sentiria absolutamente nada. Eu perderia minhas amizades, amores e gostos. Mas que perda é essa comparada a vantagem de... jamais me sentir como eu estou agora. Jamais me sentir só.


O maior problema talvez seja a forma como a vida nos mima... Nascemos, crentes em nossa ignorância, achando que sempre teremos aquele ser que nos carregou no ventre como companhia. Até crescermos, claro, e atingirmos a puberdade. E tudo o que confiamos em dizer será jogado em nossas caras feito armas. Da mesma forma, avós religiosos nos prometem anjinhos da guarda durante a noite... Até o dia em que acordarmos na escuridão e ouvirmos os barulhos das criaturas da noite. Então anjos viram monstros devoradores de crianças.


Com tudo é assim, não é? Somos tão estúpidos que nos tornamos cegos e surdos desde que confortáveis com os fatos. Seres voando no ar jamais são fadas, são baratas. Senhores gentis com doces? Provavelmente molestadores pedófilos. Não existe Robin Hood... Existem ladrões miseráveis e egoístas. E onde está Deus senão em suas breves férias de dois mil e poucos anos?


As fachadas são arrancadas com os dentes da verdade. Estúpido é aquele que vê essa entidade como alguém carismático e bondoso. A verdade e a sinceridade são os temidos anjos da Igreja Católica: perfeitamente imaculados em nome e aparência, mas cheios de intenções macabras. Podem comprovar. As mensagens trazidas por anjos sempre são catastróficas ou repletas de punições divinas. Pura hipocrisia.


Seres de asas alvas e bochechas rosadas são canibais de sentimentos. Veja só aquela gorduchinha criança com um arco e flecha em mãos. O Cupido, o amável cupido. Não é uma candura? Absolutamente não! Conseguem enxergar a estupidez de responsabilizar um bebê inexperiente de tal tarefa? Sejamos realistas. Uma criança com uma arma poderosa como esta em mãos apenas traria morte ao cruzar corações com suas afiadas pontadas. Mas assim é.


Ora, ora. Eu vos desiludi? Que ótimo. Era o que eu buscava.


Não podem me odiar. Apenas fiz o que a maldita vida faria mais cedo ou mais tarde com suas mentes.


Pensem bem na perfeição da esperança... É o escudo mais abominável de nossas almas.