O Cravo Incessante


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ok. Tá todo mundo sentado?


Olá. Meu nome é Vítor e eu estou há 15 minutos sem reclamar. Não, sérião. QUINZE-MINUTOS. Vocês tem noção da magnitude disso? Tipos, em algum lugar do mundo estão sacrificando bebês panda pra compensar o déficit de pessimismo que eu estou deixando no Universo. Mas pergunta se eu ligo.


Eu não consigo dormir. Eu deveria estar lá, na minha cama, tendo meus pesadelos diários. Me assustando com os carros gritando na rua, com as cortinas balançando e com todas as minhas tarefas que estão por vir. Mas... vejam só, faltam duas horas e trinta e cinco minutos para eu supostamente acordar e dar início a uma nova página nessa minha vida.


Não to falando de primeiro dia de escola. De saber em que sala estou, se estou perto dos amiguinhos do ano passado, se o professor X ou Y vai ser aquela merda de aturar. Nada disso. Eu não estou esperando absolutamente nada. Não sei de salas, de colegas, de turmas, se professores são chatos ou bacanas. Mas pergunta se eu ligo.


Cara. Veja bem. Tudo pode dar errado. Tudo pode dar certo. Tudo deu errado BASTANTE no ano passado. E... questão de estatística sabe? Sem falar que minha nova filosofia se baseia em sábias palavras de uma música que eu ouvia outro dia, do Jack The Ripper The Musical, "it can't be worse than starving, what a life!".... Fiz umas adaptações básicas e agora pra mim é "it can't be worse than love, what a life!".


Tô errado?


Existe algo PIOR do que ... sei lá. Amar alguém? Se apaixonar e o cacete? Poiszé.


E, olha. Já deu disso. De chorar, de querer estar acompanhado. Eu nasci sozinho, naturalmente posso ficar sozinho numa boa. Fiquei sozinho dentro de uma barriga por sete meses (no meu caso sete, no de vocês nove?) , sem ter idéia do que se passava lá fora. E assim será meu famigerado coração. Sozinho, sem ter idéia do que o espera lá fora. Sem ser atingido. O incunábulo da resistência.


Não pode ser pior que isso.


.... ok. Poder até pode.


Mas pergunta se eu ligo.