O Cravo Incessante


sexta-feira, 12 de março de 2010

Só pra não dizer que não comentei que estou vivo.

Sim. Estou vivo.

Se isso é problema seu ou pra você, quero que se dane. *riso*

Estou em uma fase realmente maravilhosa admito. Nunca me senti assim antes. Tão seguro do que devo fazer. Tão ciente de todos os atos que tomo. E no fundo, quis dividir com vocês.

Isso porque ultimamente não tenho me sentido inspirado a escrever. Deixe-me explicar porque isso não significa algo ruim. Minha inspiração poética toma forma quando estou exausto de sentimentos negativos, vide depressão, dúvida, solidão, platonismo amoroso... Não que eu não os ame, claro que não. Gosto de me sentir assim, faz parte de mim - e isso já aceitei faz tempo. Sou uma pessoa deprimida, altamente (auto) crítica, sombria e comicamente cruel. Sou assim. E não sei dizer para vocês como percebi o quão maravilhoso isso pode significar na maioria das vezes.

Quero dizer, quem confirmou que as pessoas devem ser otimistas e positivas?

Tomemos música como exemplo. (Tomo música porque faz parte do meu universo diário, mas sinta-se livre para contestar meu ponto de vista e eu buscarei outros focos. Se me interessarem, claro.)

Passamos por épocas e épocas musicais. E é gritante a diferença de um barroco a um romântico. Ou talvez eu possa dizer de forma mais simples. Aqueles familiarizados com a história de Beethoven, saberão.

Em uma época onde os ouvidos contemplavam e admiravam a emoção romântica e vigorosa de Beethoven em sonatas e composições... Meu amado compositor decidiu que não devia mais escrever canções belas. Decidiu que o mundo deveria apreciar o horrível, o dissonante, a falta de escancarada beleza. Ao iniciar seus trabalhos novos pensando desta forma, foi rejeitado e sua surdez quase-terminal foi tomada como gatilho.

Hmmm. Imediatamente corto para: Literatura.

Oscar Wilde, em O Retrato de Dorian Gray, vai além. E nos diz que onde mora inteligência, a beleza será contestada. Pois perfeitos de corpo e rosto são apenas aqueles de mente vazia e desprezível. Em suas palavras, é nos momentos de reflexão que se torna grande um nariz ou larga uma testa. É no momento em que temos nosso impacto pessoal na sociedade e no ambiente que deixamos de ser animais interessados na atração valendo-se de possível fornicação. Esta última frase tem crédito a mim, riso.

Onde quero chegar, devem estar se perguntando.

É na inteligência que uma corrente é atada de seu coração ao meu. É em um simples gesto tolo de personalidade única e marcante que um sorriso é arrancado de meu peito frio. São momentos sem significado algum para você que fazem o meu dia. Sempre será assim. E não estou sendo hipócrita. Pouco me interessa uma bunda, um peito, um tórax, um ombro definido... Olhos azuis, verdes, castanhos... Para que me servirão? Que utilidade tem um bolo de átomos em forma de voyerismo barato e popular? Já parou para se indagar o quão fantástico é pensar que uma personalidade não pode ser materializada? Como se descreve uma alma? Palavras, claro. Mas sempre adjetivos abstratos ou metáforas. É impossível descrevê-la como um glúteo, uma vagina ou um falo. Então aí morre a questão. Ame o que quiser e exija o que quiser. Eu sempre amarei almas.

Além do mais. Tudo o que faço é sempre, intimamente, uma forma de expressão. E não necessariamente devo expressar aquilo que consta na lista de 'sentimentos bons'. Aliás, nem quero. Você se lembra - ou é marcado - mais por uma pessoa que lhe causa confusão, estranheza, possível asco e alta curiosidade. Isso é mais do que um fato. E o que desejo é marcar os transeuntes de minha vida de forma única, seja uma cicatriz ou uma marca de batom negro. Qualquer estúpido pode fazê-lo rir ou sentir-se bem, mas garanto que não necessariamente a intenção foi sincera. E em noventa e nove por cento dos casos, torna-se impossível um ser lhe proporcionar os fatores mencionados acima baseados em falsidade.

Ora, vejam só. Mais uma vez me estendi sem sentido algum. 

O que importa: estou feliz. Muito feliz. Tenho medo de quando passar, admito francamente. Mas por hora quero saborear ao máximo esta esquisita sensação à minha consciência. Mudei, sei disso. E talvez esteja mesclando satisfação e rumo com felicidade. Mas quem sou eu para discursar sobre felicidade? Riso. Nem quero.

Que este texto faça alguma criatura pensar. Que estas palavras virem ervas-daninhas em seus crânios, para quando forem arrancadas, darem lugar a uma saudável plantação de lírios e flores silvestres.

Boa noite, durmam bem, ouviram?

Vitor

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