O Cravo Incessante


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pétalas

   Poucas coisas são tão constantes na minha vida quanto o sentimento de solidão.

   Não digo total solidão, como se o mundo fosse uma tortura diária. Não. Mas aquela sensação estranha de ser 'filho único' no mundo. Um vaso sem par. Uma panela sem tampa. Faz sentido?

   Inevitavelmente, é cada vez mais engraçado me ver acostumado a esta condição. Nasci sozinho, posso muito bem morrer sozinho. E isso não me faz ter que abdicar de meus amigos e poucos companheiros que conquistei ao longo desses dezoito anos. Assim, talvez eu não sirva para namorado. Para relacionamentos. Para nada que tenha alguma conexão com amor cúmplice...

   Na realidade, nenhum ser consegue viver só. Se necessário, criam companhia. A castidade religiosa por si só não é submissa à existência de Deus? Mesmo em completa solidão, Padres se agarram na crença em alguém que os acompanha.

   Bem, eu posso estar errado. Enquanto isso, sou Orfeu e Eurídice. Eurídice sendo minha sanidade. Se eu olhar para trás, pode ser que desista de vez.

   Mas, sinceramente? Eu duvido que desista de sobreviver por um motivo tão besta. Eu sento e espero uma bela alma me libertar da Maldição da Rosa, enquanto ainda existem pétalas que não beijaram o chão.

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